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Em Jesus, Deus se fez próximo para que possamos conhecê-lo como Pai e Criador como um Pai apaixonado pela nossa vida e respeitoso da nossa liberdade. Contudo fez-se próximo para que todos tenham acesso a Ele tal como Ele é. Jesus assim manifestou o mais divino no mais humano.

Os pastores de Belém, os magos do Oriente, o velho Simeão ou as crianças pequenas que chegam a Ele, André e Pedro pescadores do lago, Zaqueu o cobrador de impostos, Bartimeu o mendigo cego, a mulher dos sete maridos ou aquela que cobre de beijos os seus pés, Marta a dona de casa ou Maria que se senta aos seus pés para escutá-lo, os da primeira hora ou o bom ladrão da última hora, José membro do Conselho ou o centurião romano, TODOS, sim TODOS têm acesso a Deus. Deus não está mais reservado para alguns que estariam sendo designados para isso ou que seriam mais perfeitos que outros: a sua aliança é para todos. É isso que a gente chama de “sacerdócio” de Cristo: uma maneira de fazer relacionar-se todo homem com Deus que ele chama “Pai”.

Sacerdócio de Jesus CristoMas todos não O reconheceram, todos não O   acolheram. Esse Amor era louco demais, ele incomodava. Jesus foi julgado e condenado à morte. A sua maneira de morrer assinou a sua maneira de viver: Ele amou até o fim e o seu amor não se impôs. Mas o terceiro dia, Deus O ressuscitou. O Pai assim contra assinou esse destino: o Deus de Jesus não é um Deus que se impõe. Pelo contrário, Ele se propõe, Ele se    oferece à nossa acolhida e à nossa negação. É respeitando as nossas liberdades que Ele nos manifesta uma vida mais forte que toda morte e toda violência, uma vida totalmente filial (dizendo ainda Pai no momento que a vida o deixa) e totalmente fraternal (entregue sem defesa àqueles que O rejeitam), é respeitando nossas liberdades que Ele nos abre o acesso a Ele. Ressuscitado, Jesus Cristo nos entrega seu Espírito filial e fraterno. Por Ele entramos na experiência de Jesus: a experiência de um filho, de uma filha, maravilhados por Deus, achando sua felicidade acolhendo-O e agradecendo-O por estar tão próximo; a experiência de um irmão, de uma irmã, com tanta certeza de ter um Pai, que eles se arriscam, contra o ciúme e a violência que os ameaçam nas relações fraternas. É assim que nós nos tornemos “como um templo”, é aqui “o culto em espírito e em verdade”. Ora, alguns dias antes de morrer, Jesus disse: “meu corpo é para vós”, uma maneira de dizer: “minha vida, meu estilo de vida, é para    vós”. Basta avançar livremente para Ele e abrir as mãos, é o que lembramos em cada missa, a cada eucaristia, quando comungamos. O acesso para Deus é verdadeiramente aberto, já que nos tornamos assim filhos (filhas) e irmãos (irmãs), já que nós nos tornamos mais humanos e assim mais “divinos”. A Cruz torna-se então verdadeiramente o sinal da Aliança entre Deus e os homens.

Como não ficarmos maravilhados com o que está nos acontecendo? A nossa vida torna-se então um agradecimento, um louvor, uma confiança sem limites, poderíamos dizer: “uma oferenda” ao Deus que se oferece. É esta “admirável partilha” fonte de felicidade, que nós queremos partilhar com aqueles que encontramos; é o rastro de um Deus que se faz próximo que queremos descobrir ou despertar em cada encontro. É por causa deste grande desejo que nós nos chamamos de “Auxiliares do Sacerdócio”, auxiliares deste acesso a Deus pela humanidade toda e por tudo o que faz a nossa humanidade.

Anne Marie Petitjean
Auxiliar do Sacerdócio