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Atualmente a minha missão não está ligada diretamente ao acompanhamento de jovens. No momento estou Encontro jovens em Taizé - JUlho 2016colaborando com a catequese, na etapa da perseverança; são crianças e adolescentes que fizeram a primeira eucaristia e se preparam para a iniciarem a preparação do sacramento da crisma.

Mas, partilharei aqui duas experiências recentes que fiz com jovens.  A primeira delas foi um encontro com um grupo de jovens com idade entre 17 e 34 anos na comunidade dos irmãos de Taizé, na cidade de Alagoinhas, dos 01 a 03 /07/16.  Este encontro foi pensado para jovens e jovens adultos com idade de 17 a 25 anos, porém no decorrer do processo de inscrição apareceram outros, com uma faixa etária de idade maior, que desejaram fazer a mesma experiência.

Neste encontro animada por Rose, Ana e eu (ambas irmãs Auxiliares), escolhemos como tema para reflexão, a sede, a partir das leituras bíblicas das bem-aventuranças, descrita no 5º capitulo do evangelho de Mateus e o encontro de Jesus com a mulher samaritana, descrita no capitulo 10º do evangelho de João. Assim, convidamos os jovens para chegarem no encontro com a seguinte pergunta: Jovem, você tem sede de quê?

Com o desejo de reflexão sobre as suas sedes e de encontrar um lugar inspirador para rezar, 34 pessoas chegaram em Taizé. Assim como as idades, as sedes eram diferentes, mas nem tanto. Duas sedes se repetiram constantemente: esperança e espiritualidade. Sobre essas duas sedes mais manifestadas eu quero dizer como vivi esse encontro.

Me recordo que a esperança foi a primeira sede partilhada. No final do encontro eu fiquei muito feliz de ter escutado essa palavra, pois no decorrer da preparação para esse encontro eu não havia refletido sobre a minha própria sede, e quando escutei essa palavra é que eu pude me perguntar: e qual é a minha sede? É também de esperança. Esperança de viver dias melhores, de diálogo verdadeiro entre as pessoas, de coerência e de esperar em Deus e no seu Reino, com perseverança.

A sede de espiritualidade, eu acredito que estávamos no lugar certo para iniciarmos a saciar. As orações silenciosas e os mantras repetitivos da comunidade de Taizé, proporcionaram um bom clima para que o encontro fosse bem vivido. Me alegrei muito de ver que todos os participantes estavam muito desejosos de fazer uma experiência profunda com Deus e com os outros. Todos participaram de todos os momentos de orações com os irmãos, estavam abertos para as partilhas nos grupos e individuais; visitaram pessoas da comunidade paroquial, releram a experiência e aproveitaram de todos os tempos de convivência para conversarem, sem nenhum isolamento.

Esse encontro em Taizé, vivemos belas experiências que me fazem dizer, com certeza, que esses jovens e jovens adultos, desejaram e retornaram para suas casas desejando descobrir mais sobre si, sobre Deus, os outros, sua fé e o compromisso batismal. E, por isso, valeu muito a pena o fim de semana partilhado entre nós.

A segunda experiência que fiz mais perto dos jovens, aconteceu em Salvador, no fim de semana de 22 a 24/07/16. Foram 11 jovens, com idades entre 18 e 32 anos, de diferentes cidades do Brasil, que vieram à Salvador para participar das experiências MAGIS.

O MAGIS é um encontro mundial de jovens que cultivam a espiritualidade inaciana, realizado nos dias que antecedem às Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), e acontece desde 1997. A sua realização faz parte de um processo de reflexões da Companhia de Jesus no mundo, sobre como vivenciar a oportunidade das Jornadas para estar com a juventude, e para preparar os jovens inacianos para participarem bem da JMJ.

Trata-se de um programa de atividades de cunho espiritual, cultural, pastoral, social e missionário. É um convite feito aos jovens para que peregrinem. Peregrinem pelo mundo, às nações, deixando-se questionar pela realidade e pelo Senhor, do mesmo modo que fez o peregrino Santo Inácio. Convite a peregrinar de dentro de si mesmo para o encontro com o próximo.

A experiência proposta em Salvador, intitulada de peregrinos urbanos a serviço, foi para uma semana de convivência na comunidade da Trindade, onde pessoas em situação de rua são acolhidas e lhes é proposto uma vida em comum, utilizando uma igreja como eremitério e uma espiritualidade peregrina.

Esta experiência consistiu em partilhar a dinâmica de orações da comunidade (incluindo uma pequena peregrinação de um dia); trabalhos (reciclagem de materiais, artesanato, etc.); e serviços comuns das pessoas que vivem na comunidade (pedir doações de alimentos na feira, preparar as refeições, etc.) ¹.

Não fiquei durante a semana inteira com os jovens, mas tive a alegria de passar dois dias e uma noite com eles. Fui muito agraciada de escutar a alegria de cada um/a ao partilhar as experiências que fizeram junto à comunidade. Foram partilhas realistas, olhando com muita compaixão e sem sentimento de pena para as pessoas que vieram das ruas; alguns jovens releram a experiência olhando para sua própria realidade familiar, já que alguns deles também convivem com familiares dependentes de álcool e drogas e, sobretudo, fizeram uma bela experiência de vida espiritual e comunitária.

Enfim, para mim essas duas experiências foram presentes de Deus, que me ajudaram a olhar para minha própria realidade de fé, refletir como anda minha vida espiritual e os meus desejos e renovar o meu desejo de perseverar na esperança, que nem sempre está ativa.

A experiência de estar perto de jovens, sendo eu ainda jovem, aviva a minha confiança no Senhor todo misericordioso com a juventude tão marcada por tantos sinais de desesperanças. Me alegrei muito, também, de ler o que disse nosso Papa Francisco interpelando os jovens neste encontro da Jornada Mundial da Juventude, de colocar tanto crédito numa juventude que tantas vezes são desacreditadas e acusadas de serem pessoas instáveis e descompromissadas. O que eu vi nestes dias, foram jovens cheios de desejos de se comprometerem com o Reino de Deus, e não somente dentro da Igreja, mas também nos seus trabalhos e faculdades, sendo sinais da presença de Deus, vivendo sua missão de batizados.

Missão com Comunidade da Trindade - Jul 2016

Jorge Amado eternizou a Bahia pelo mar que essa amada terra possui. Mas foi a partir do olhar e da ternura de pessoas tão simples que encontrei o verdadeiro sentido de ter passado os últimos seis dias em Salvador. Um período que lembrarei como sinônimo de entrega e cuidado, carinho e amor. Dias em que, dormir em cima de um papelão era sinal de comunhão fraterna e depender da ajuda do outro para realizar as atividades era estrela-guia. Um tempo sobretudo de reflexões e conclusões acerca do que é ser peregrino urbano. Uma delas: o povo de rua também é gente. E gente que move, inspira, reverbera talentos, pinta nossas vidas com a tinta da humildade. Sendo assim, esta fotografia ganha contornos maiores: serve de registro de uma das experiências mais fortes da minha vida. Serve de memória e valorização daqueles que no olho da rua vivem e revivem. Serve de consolo para tudo isso que trago no peito. Uma saudade que não vai passar, afinal…

 Por tudo isso e pela felicidade dos reencontros e das descobertas, bendita seja a Bahia!

Diego Barbosa

(POEMA FEITO POR UM JOVEM QUE PARTICIPOU DA EXPERIÊNCIA MAGIS)

 

(¹) Portal dos Jesuítas no Brasil.